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Quanto custa viver na Rocinha hoje? Alta do turismo encarece custo de vida na comunidade – Diário do Rio de Janeiro

Quanto custa viver na Rocinha hoje? Alta do turismo encarece custo de vida na comunidade – Diário do Rio de Janeiro
  • Publishedabril 29, 2026
Quanto custa viver na Rocinha hoje? Alta do turismo encarece custo de vida na comunidade – Diário do Rio de Janeiro

Carta do papai Noel
Foto: Foto: Alexandre Macieira/Riotur

O crescimento do turismo na Rocinha, na Zona Sul do Rio, tem provocado mudanças no cotidiano da comunidade e impactado diretamente o custo de vida dos moradores. A valorização impulsionada pelo interesse de visitantes e novos ocupantes tem elevado preços de serviços e aluguéis, criando um cenário em que oportunidades de renda convivem com o risco de deslocamento de quem sempre viveu no território.

Com vista privilegiada, proximidade com a praia e acesso facilitado ao metrô, a Rocinha passou a atrair cada vez mais turistas interessados em experiências guiadas por becos e lajes. Em janeiro de 2026, foram registrados 41.852 visitantes, segundo a agência Na Favela Turismo. A presença crescente de estrangeiros e visitantes altera dinâmicas locais, desde a circulação até o mercado imobiliário.

O impacto é direto nos preços. Se antes era possível encontrar kitnets entre R$ 300 e R$ 500, hoje os valores podem dobrar. Casas com quatro cômodos chegam a R$ 1.000, pressionando o orçamento de famílias em um contexto em que o salário mínimo é de R$ 1.621 e a cesta básica no Rio ultrapassa R$ 800. Na prática, grande parte da renda mensal passa a ser destinada à moradia e à alimentação.

A valorização, no entanto, não afeta todos da mesma forma. Para alguns moradores, o turismo representa uma fonte de renda, seja com locação de imóveis, seja com serviços voltados aos visitantes. Para outros, o aumento dos preços torna a permanência cada vez mais difícil. Segundo o artista plástico Saymon Moreno, que também atua como locador, há imóveis de dois quartos sendo alugados por até R$ 2.000.

“Na Rocinha tem uma regra de quanto mais fácil o acesso ao imóvel, mais caro o aluguel. Eu tento não seguir isso. Pesquiso valores de imóveis parecidos e coloco um preço que considero mais justo”, afirmou artista plástico.

A produtora cultural Patriny Costa, de 30 anos, vive outro lado desse processo. Após anos pagando por sua casa até quitá-la, ela agora enfrenta os custos de manutenção e observa as transformações ao redor. Para ela, o turismo tem provocado um distanciamento da identidade local e traz incertezas sobre o futuro.

“O custo de vida aqui é muito alto. Mesmo tendo acesso a muitas coisas, é difícil se manter. Eu precisei abrir mão de muita coisa para conseguir pagar minha casa e ajudar minha família”, relatou.

A percepção de moradores é de que mudanças recentes têm favorecido mais quem chega do que quem já vive na comunidade. O receio é de que a Rocinha passe por um processo semelhante ao observado no Vidigal, onde a valorização imobiliária alterou o perfil dos moradores e encareceu o custo de vida.

*Com informações do Fala Roça

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Fonte: diariodorio.com