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Tráfico de animais silvestres funciona à luz do dia na Tijuca e mobiliza a Polícia Militar – Diário do Rio de Janeiro

Tráfico de animais silvestres funciona à luz do dia na Tijuca e mobiliza a Polícia Militar – Diário do Rio de Janeiro
  • Publishedabril 26, 2026
Tráfico de animais silvestres funciona à luz do dia na Tijuca e mobiliza a Polícia Militar – Diário do Rio de Janeiro

Carta do papai Noel
Polícia Civil e PRF apreendem animais silvestres em Itatiaia, no Sul Fluminense (Divulgação)

Há crimes que se escondem nas sombras e outros que, para espanto de quem ainda acredita no mínimo de ordem urbana, acontecem sob o sol do meio-dia, diante de todos — e ainda assim permanecem intocados. É esse o cenário inquietante que começa a ganhar contornos mais nítidos na Tijuca, um dos bairros mais tradicionais da Zona Norte do Rio, onde denúncias recentes apontam para a atuação ostensiva de um comércio ilegal de fauna silvestre, funcionando praticamente à vista de quem passa.

A situação, que há tempos é sussurrada por moradores e frequentadores da região, ganhou novo fôlego após a mobilização de forças policiais, em especial o 6º Batalhão da Polícia Militar, tradicionalmente responsável pelo policiamento da área. O que se desenha, segundo relatos, é um mercado clandestino que desafia não apenas a legislação ambiental brasileira, mas a própria ideia de civilidade urbana — com animais silvestres sendo mantidos, exibidos e comercializados em condições muitas vezes precárias, em plena via pública.

Não se trata de um problema menor ou pontual. O tráfico de animais silvestres é hoje uma das atividades ilícitas mais lucrativas do mundo, ao lado do tráfico de drogas e de armas, alimentando uma cadeia que começa na captura predatória em áreas naturais e termina, muitas vezes, em gaiolas improvisadas em centros urbanos. No Rio de Janeiro, cidade moldada entre o mar e a floresta, esse tipo de crime assume contornos ainda mais graves, pois atinge diretamente a biodiversidade da Mata Atlântica, um dos biomas mais ricos — e mais ameaçados — do planeta.

Na Tijuca, o contraste é particularmente simbólico. A poucos minutos dali ergue-se a Floresta da Tijuca, patrimônio natural e espiritual da cidade, onde a criação divina ainda se manifesta com exuberância rara. E, no entanto, nas ruas adjacentes, segundo as denúncias, a mesma natureza é reduzida a mercadoria.

A recente atuação policial indica que o tema começa, enfim, a ser tratado com a seriedade que exige. A presença ostensiva da Polícia Militar pode representar não apenas o desmantelamento de pontos específicos de venda, mas um recado mais amplo: o de que a cidade não pode naturalizar o crime quando ele se torna cotidiano.

É importante registrar que a mobilização teve como ponto de partida o trabalho de denúncia realizado por um colunista do site Última Hora Online, cuja iniciativa ajudou a trazer luz a uma prática que muitos já viam, mas poucos conseguiam fazer repercutir.

Resta agora saber se a ação será pontual — como tantas outras que se perdem na memória do noticiário — ou se marcará o início de uma política mais firme de combate ao tráfico de fauna no coração da cidade. Porque, no fim das contas, não se trata apenas de proteger animais: trata-se de preservar a própria ideia de Rio de Janeiro como cidade que honra sua natureza, sua história e sua dignidade.

E, talvez, de lembrar que há certas coisas que não deveriam jamais ser vendidas — muito menos em plena luz do dia.

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Fonte: diariodorio.com