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Pressão alta impulsionou quase 35 mil mortes no Rio em 2025 por infarto, AVC e insuficiência cardíaca – Diário do Rio de Janeiro

Pressão alta impulsionou quase 35 mil mortes no Rio em 2025 por infarto, AVC e insuficiência cardíaca – Diário do Rio de Janeiro
  • Publishedabril 23, 2026
Pressão alta impulsionou quase 35 mil mortes no Rio em 2025 por infarto, AVC e insuficiência cardíaca – Diário do Rio de Janeiro

Carta do papai Noel

Silenciosa, comum e muitas vezes descoberta tarde demais, a hipertensão segue como um dos principais fatores por trás de mortes por infarto, AVC e insuficiência cardíaca no Rio de Janeiro. Em 2025, o estado somou 34.682 óbitos ligados a esses três quadros: foram 17.234 por infarto, 10.136 por AVC e 7.312 por insuficiência cardíaca, segundo levantamento da Organização Nacional de Acreditação (ONA) com base no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do DATASUS.

Os dados ganham peso às vésperas de 26 de abril, data marcada pelo Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, criado para chamar atenção para uma doença que avança sem alarde e costuma agir por anos antes de provocar um evento grave.

No cenário nacional, o quadro também segue pesado. Em 2025, o Brasil registrou 177.810 mortes por infarto, 104.363 por AVC e 64.133 por insuficiência cardíaca, num total de 346.306 óbitos relacionados a esses eventos cardiovasculares.

No Rio, o número por si só já mostra o tamanho do problema. Não se trata apenas de uma doença comum. A hipertensão é um fator de risco decisivo para desfechos graves que lotam hospitais, deixam sequelas e matam.

“Ela pode causar lesões progressivas nos órgãos-alvo, como coração e cérebro, mesmo antes do surgimento de sintomas. Infelizmente, muitos pacientes desconhecem que são hipertensos e acabam recebendo o diagnóstico apenas após um evento mais grave”, afirma Fábio Basílio, intensivista e membro da ONA.

Esse é um dos pontos centrais da pressão alta. Na maior parte dos casos, ela não dá sinais claros. Não dói, não interrompe a rotina e, por isso mesmo, costuma ser subestimada. Quando o diagnóstico chega tarde, muitas vezes o dano já começou.

“Quando identificada precocemente e devidamente acompanhada, é possível reduzir de forma significativa o risco de complicações ao longo do tempo, mas não deve ser subestimada justamente por seu caráter silencioso”, diz Fábio Basílio.

As diretrizes brasileiras atualizadas em 2025 reforçam que níveis de pressão acima de 120 por 80 mmHg já se associam a aumento do risco cardiovascular, inclusive em pessoas aparentemente saudáveis. A orientação é clara: medir a pressão com regularidade, mesmo sem sintomas, e manter acompanhamento médico.

No caso do AVC, o reconhecimento rápido segue sendo decisivo. Entre os sinais de alerta estão dificuldade para falar, perda de força em um dos braços, alteração no sorriso, desequilíbrio, mudança súbita na visão e dor de cabeça intensa. A escala de Cincinnati, usada no atendimento de urgência, recomenda observar justamente se a pessoa consegue sorrir, levantar os braços e falar normalmente.

“Diante de qualquer um desses sintomas, não se deve esperar. O tempo de resposta é determinante para evitar sequelas e até a morte”, alerta Fábio Basílio.

O especialista também chama atenção para os sinais de infarto, que nem sempre aparecem do jeito mais óbvio. Dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, náusea, tontura e desconforto que pode irradiar para braço, mandíbula ou costas exigem avaliação imediata. Em alguns casos, os sintomas são confundidos com problemas digestivos, o que atrasa a busca por socorro.

No Rio de Janeiro, onde os números de mortalidade seguem altos, o alerta é direto: hipertensão não pode continuar sendo tratada como detalhe de consulta ou problema menor. O diagnóstico precoce, o controle da pressão e a mudança de hábitos continuam sendo a diferença entre prevenir e correr atrás do prejuízo.

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Fonte: diariodorio.com