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Pesquisadora da Zona Norte do Rio leva a Viena estudo sobre memória afro-brasileira na Serrinha – Diário do Rio de Janeiro

Pesquisadora da Zona Norte do Rio leva a Viena estudo sobre memória afro-brasileira na Serrinha – Diário do Rio de Janeiro
  • Publishedabril 23, 2026
Pesquisadora da Zona Norte do Rio leva a Viena estudo sobre memória afro-brasileira na Serrinha – Diário do Rio de Janeiro

Carta do papai Noel
Tia Ira Rezadeira – Foto: Pedro Siqueira

A pesquisadora e jornalista Clarissa Barcellos vai apresentar, na próxima semana, em Viena, na Áustria, um trabalho sobre memória, ancestralidade e religiosidade afro-brasileira na comunidade da Serrinha, em Madureira, na Zona Norte do Rio. A participação integra a conferência internacional Arte e Espiritualidade na Diáspora Negra, que será realizada entre os dias 22 e 24 de abril de 2026, no Weltmuseum Wien.

A pesquisa, intitulada “Imperiosa Serrinha: uma etnografia sobre memória e ancestralidade no ofício de Tia Ira Rezadeira”, se debruça sobre a trajetória de Iraci Cardoso dos Santos Lino, conhecida como Tia Ira Rezadeira. Aos 89 anos, ela é vista como uma das figuras centrais da vida cultural e espiritual da Serrinha, reunindo saberes ligados à reza, ao parto e às práticas religiosas e culturais de matriz africana.

Tia Ira é sucessora de um legado marcado pela presença de Maria Joana Monteiro, a Vovó Maria Joana Rezadeira (1902-1986). Vinda do interior de Valença, no Vale do Café fluminense, ela chegou à Serrinha no início do século passado e integrou uma das primeiras famílias a ocupar a região. Vovó Maria Joana, mãe do mestre Darcy do Jongo, teve papel de destaque na comunidade: foi liderança de Umbanda, parteira, jongueira, rezadeira, líder comunitária e uma das fundadoras da GRES Império Serrano. Também ficou conhecida por ter sido mãe espiritual da cantora Clara Nunes.

O estudo foi construído a partir de trabalho etnográfico no território e percorre rituais, festas e formas de transmissão de conhecimento presentes no cotidiano da Serrinha. A pesquisa reúne entrevistas e acompanha celebrações dedicadas aos pretos-velhos, além do tradicional Amalá de Xangô, realizado todos os anos na Pedreira de Xangô, no alto do morro.

A conferência em Viena reúne pesquisadores, artistas e lideranças religiosas e culturais de diferentes países para discutir as relações entre arte, espiritualidade e memória nas culturas da diáspora negra.

Segundo Clarissa Barcellos, o objetivo é mostrar como práticas culturais e espirituais afro-brasileiras seguem tendo peso na formação da memória coletiva, da sociabilidade e da identidade comunitária no subúrbio carioca. “Tia Ira é uma griô, uma guardiã da memória. Esses conhecimentos não são apenas expressões de fé, mas também formas de produção de saber e resistência política. Preservar essas histórias é enfrentar um processo histórico de apagamento e racismo religioso e epistêmico. As rezadeiras, os rituais e as festas religiosas das comunidades negras guardam saberes ancestrais que raramente aparecem nos registros oficiais da história”.

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Fonte: diariodorio.com