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Gisele Bündchen e o veganismo: entenda as discussões levantadas por relato da modelo

Apesar de ter sido lançado em 2024, na última semana, o livro “Nutrir: Receitas simples para corpo e alma”, da supermodelo Gisele Bündchen, virou assunto nas redes sociais, graças a

  • Publishedabril 23, 2026

Apesar de ter sido lançado em 2024, na última semana, o livro “Nutrir: Receitas simples para corpo e alma”, da supermodelo Gisele Bündchen, virou assunto nas redes sociais, graças a um trecho “polêmico”.Na obra, a modelo compartilha a sua relação com os alimentos e, entre as experiências, relata como e porque deixou de seguir uma dieta vegana. Ela, que passou anos seguindo um padrão alimentar à base de plantas, conta que tomou a decisão de abandonar o hábito depois de enfrentar dificuldades para adquirir nutrientes, com consequências para a saúde.Entre os problemas, ela entrou em um quadro de anemia. A seguir, entenda mais sobre o veganismo e as discussões em torno da fala de Bündchen.Seguido por Gisele e outras celebridades, o veganismo é um tipo de alimentação que retira do cardápio toda a carne, assim como na alimentação vegetariana, mas também outros produtos derivados de animais, caso do leite e do ovo.
Além de impactos da dieta restritiva, a modelo também contou que o consumo elevado de feijão – comum nesse tipo de cardápio – teria lhe trazido desconfortos digestivos, como inchaço e gases.
“Ficar com gases e inchada não é legal, claro, e também não é ideal para um trabalho que envolve usar biquínis ou lingerie”, disse.

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Por isso, Gisele devolveu a carne vermelha à mesa, mas diz que os alimentos de origem vegetal continuam predominando em sua dieta.
Segundo ela, o seu prato leva 80% de vegetais e 20% de alimentos de origem animal.
Feijão causa inchaço?
Como o feijão e as outras leguminosas são as principais fontes vegetais de proteínas, veganos precisam aumentar a ingestão desse grupo alimentar. E é verdade. O parceiro do arroz pode mesmo causar inchaço abdominal em algumas pessoas.
“Muitos vegs relatam desconforto com gases e é comum a gente atribuir a culpa às leguminosas. De fato, feijão, grão de bico, ervilha, lentilha e soja são alimentos ricos em carboidratos fermentáveis“, explica a nutricionista Natália Utikava, especialista em nutrição plant-based e mestre pela Universidade de São Paulo (USP).
É que, apesar de muito nutritivo, o feijão contém alguns carboidratos, como os oligossacarídeos, que o corpo humano não digere completamente. Esses compostos, então, são fermentados pelas bactérias que vivem no intestino, o que gera gases.

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Mas tem formas de fugir desse mal-estar sem largar mão do alimento.
O que fazer para evitar os gases do feijão
A primeira dica, segundo Utikava, é deixar os grãos de molho por algumas horas antes de preparar. Com isso, parte dos carboidratos fermentáveis são eliminados.
Na hora do preparo, também vale ter cuidado com a receita. E isso é algo que quem está por perto também agradece: consumir feijão com alimentos ricos em enxofre pode não só estimular o inchaço, mas gerar gases fétidos.
Por isso, se você é sensível, é uma boa evitar combiná-lo com alimentos como brócolis, couve-flor, repolho e cebola.
Outro dica é sempre mastigar bem a comida, para ela não chegue ao intestino grosso com pedaços grandes. “As bactérias amam fermentar esse monte de pedaços mal digeridos – e vão te presentear com mais gases”, alerta a nutricionista. “Mas mesmo em pessoas que são mais sensíveis, e que não toleram mesmo com o remolho, temos outros recursos”, conta Natália.

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Nesses casos, vale experimentar algumas opções com menor teor de carboidratos fermentáveis, como os feijões azuki e o moyashi, além de outras leguminosas, como edaname e lentilha rosa.
Ademais, os veganos e vegetarianos podem considerar intercalar os feijões em grão com preparações como tofu e tempeh, que têm um teor menor desses nutrientes pró-gases e são ricos outros compostos benéficos.
Mas, apesar da má fama do feijão, Natália alerta, ainda, que outros alimentos podem estar por trás dos gases, como aqueles que contam com polióis, como alimentos com pitadas de xilitol.
Os polióis, ou álcool de açúcar, são carboidratos que têm sido utilizados como substitutos da sacarose (o clássico açúcar de mesa). Os famoso adoçantes ou edulcorantes.
Esses produtos apresentam valor calórico e poder adoçante um pouco abaixo do açúcar, o que é uma vantagem, porém precisam ser usados em maiores quantidades para obter o efeito tecnológico desejado nos produtos. Assim, podem ser consumidos em excesso facilmente.

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Em pessoas mais sensíveis e, a depender da quantidade ingerida, eles podem ser uma bomba para gases ou, ainda, aumentar a sensação de indigestão, empachamento, arrotos, barulhos anormais na barriga e até causar diarreia.
Natália ressalta que não devemos vê-los como vilões e que a maioria das pessoas tolera bem esse ingrediente. Mas, ao consumir muitos alimentos que os contenham, pode ser que os sintomas apareçam.
“O objetivo [de falar sobre isso] é auxiliar quem tem excesso de gasses e distensão abdominal a conhecer as possíveis causas, que também podem ser os polióis”, destaca.
Alimentação vegana com saúde
Se, por um lado, Gisele acabou abandonando a dieta vegana por questões de saúde, do outro, especialistas da área ressaltam que, com um bom planejamento, o padrão alimentar plant-based pode oferecer todos os nutrientes necessários e,até ser mais saudável.
Os principais nutrientes que devem monitorados nessa dieta são as proteínas, ferro, zinco, cálcio, ômega-3, vitamina D e vitamina B12. E tem como adquirir quase tudo isso sem precisar recorrer a alimentos de origem animal, segundo Natália:

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As leguminosas são as principais fontes de proteínas, ferro e zinco nas dietas veganas, que são complementadas com cereais integrais (aveia, quinoa, milho, trigo), castanhas e sementes oleaginosas.
O ferro ainda pode ser encontrado em verduras verde-escuras, tais como couve, rúcula, agrião, escarola, espinafre e temperos como manjericão, salsinha, coentro, cebolinha.
Já o cálcio também pode ser obtido através da ingestão de verduras verde-escuras, e também de amêndoas, chia, e leites vegetais enriquecidos com o mineral.
O ômega-3 pode ser obtido com o consumo de linhaça e chia, preferencialmente trituradas ou hidratadas, para melhor absorção.
Já vitamina D, embora esteja presente em alimentos de origem animal, tem como principal fonte a exposição solar. “Porém, cada vez menos se recomenda a exposição solar, uma vez que é sabido o seu potencial risco para o câncer de pele. Por isso, avaliamos os níveis de vitamina D no sangue e, caso estejam baixos, recomendamos a suplementação”, explica Natália.
Os suplementos de vitamina D tradicionais são de origem animal, extraídos da cera da lã da ovelha, mas já existem versões veganas no mercado nacional, extraídos de líquens.
A única exceção mesmo é a vitamina B12. É que ela não é produzida por plantas nem por animais, mas por micro-organismos, especialmente bactérias. Na natureza, os animais acabam sendo fontes indiretas, já que entram em contato com elas ao longo da vida.
Por isso, no caso de pessoas veganas, a estratégia mais segura é recorrer à suplementação. A vitamina B12 utilizada nesses produtos é obtida por fermentação bacteriana controlada.
Em geral, a suplementação é recomendada para todos os veganos, mas a avaliação dos níveis no sangue é importante.
“Todos os guidelines sobre o assunto apontam que a alimentação vegetariana, mesmo estrita, é saudável em todas as fases da vida, mas que necessitam de acompanhamento nutricional de perto”, conclui Natália.

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Fonte: saude.abril.com.br