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Flávio Bolsonaro testa mãe, Rogéria Bolsonaro, para o Senado e amplia pressão sobre Cláudio Castro – Diário do Rio de Janeiro

Flávio Bolsonaro testa mãe, Rogéria Bolsonaro, para o Senado e amplia pressão sobre Cláudio Castro – Diário do Rio de Janeiro
  • Publishedmaio 1, 2026
Flávio Bolsonaro testa mãe, Rogéria Bolsonaro, para o Senado e amplia pressão sobre Cláudio Castro – Diário do Rio de Janeiro

Carta do papai Noel
Reprodução Redes Sociais

O nome de Rogéria Bolsonaro entrou no radar do PL para a disputa ao Senado pelo Rio de Janeiro em 2026. O movimento ocorre em meio ao enfraquecimento jurídico e político do ex-governador Cláudio Castro, declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. As informaçõe são de  Thiago Prado na newsletter Jogo Político/O Globo.

Nos bastidores, a leitura é que Flávio Bolsonaro passou a trabalhar alternativas para a vaga que, até pouco tempo atrás, era tratada como espaço natural de Castro na chapa da direita fluminense. A inclusão de Rogéria em cenários de pesquisa foi recebida por aliados como sinal de que o grupo já considera um plano B para a corrida ao Senado.

A movimentação, porém, ainda é tratada com cautela dentro do partido. O PL fluminense evita admitir publicamente que Cláudio Castro pode ficar fora das urnas em 2026, já que ainda há possibilidade de recursos no próprio TSE. Mesmo assim, a inelegibilidade impôs um problema concreto à montagem da chapa.

Paraná testou Rogéria em cenário sem Castro

Levantamento do Paraná Pesquisas divulgado em 24 de abril mostrou Benedita da Silva com 30,4% e Cláudio Castro com 29,9% em um dos cenários para o Senado. Em outra simulação, sem o ex-governador, Rogéria Bolsonaro apareceu com 28,1%, atrás de Benedita, que marcou 32,3%.

O dado acendeu uma discussão interna no campo bolsonarista. Embora Rogéria não estivesse no desenho original da chapa como candidata titular, seu sobrenome e sua ligação direta com a família Bolsonaro passaram a ser vistos como ativos em uma disputa majoritária.

Antes da condenação de Castro no TSE, a articulação do PL previa outro arranjo. A chapa liderada por Douglas Ruas ao governo teria Márcio Canella, do União Brasil, como candidato a uma das vagas ao Senado. Rogéria Bolsonaro aparecia como possível primeira suplente.

Com a decisão judicial contra Castro, esse equilíbrio ficou menos estável. O ex-governador segue aparecendo competitivo nas pesquisas, mas sua presença na urna depende da reversão do quadro jurídico.

Quaest mostra queda na aprovação de Castro

Foto: Divulgação/Governo do Estado do Rio de Janeiro

Além da inelegibilidade, Cláudio Castro também enfrenta desgaste político. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana apontou queda na avaliação positiva de seu governo. O levantamento também mostrou Castro com 12% na disputa ao Senado, tecnicamente empatado com Benedita da Silva, que marcou 10%. A pesquisa ouviu 1.200 eleitores entre 21 e 25 de abril, com margem de erro de três pontos percentuais.

A queda ocorre depois de um período em que o ex-governador havia ganhado fôlego político com a repercussão de operações de segurança no Rio de Janeiro. Agora, porém, a combinação de desgaste administrativo, condenação eleitoral e incerteza sobre sua elegibilidade abriu espaço para novas apostas dentro da direita.

Nesse cenário, Rogéria Bolsonaro surge como nome capaz de manter a vaga no círculo familiar do ex-presidente Jair Bolsonaro, sem depender da situação jurídica de Castro. A aposta de aliados é que o sobrenome tenha mais força em uma eleição majoritária do que em disputas proporcionais.

Rogéria já disputou eleições no Rio

Rogéria Bolsonaro tem trajetória própria na política carioca. Ela exerceu dois mandatos como vereadora no Rio de Janeiro entre 1993 e 2000, período em que ainda era casada com Jair Bolsonaro.

Na eleição municipal de 2000, tentou renovar o mandato, mas disputou espaço com o próprio filho, Carlos Bolsonaro, então com 17 anos. Ele acabou eleito vereador, enquanto Rogéria ficou na suplência.

Depois de anos afastada da política, ela voltou a aparecer no cenário eleitoral após a vitória de Jair Bolsonaro à Presidência, em 2018. Em 2020, tentou se eleger vereadora pelo Republicanos, mas não conseguiu vaga na Câmara Municipal do Rio.

A possível candidatura ao Senado mudaria o patamar da disputa. Em vez de uma eleição proporcional, em que o voto se dispersa entre centenas de nomes, Rogéria entraria em uma corrida majoritária, com maior peso da identificação política e familiar.

Família Bolsonaro mira o Senado em vários estados

A eventual entrada de Rogéria Bolsonaro na disputa fluminense também se encaixa em um movimento mais amplo da família em direção ao Senado. Carlos Bolsonaro deve tentar uma vaga por Santa Catarina, enquanto Michelle Bolsonaro é cotada para disputar pelo Distrito Federal.

No Rio, a operação é mais delicada porque envolve o espaço de Cláudio Castro, que ainda tenta manter viabilidade eleitoral apesar da decisão do TSE. Para o PL, a questão central é evitar que a chapa fique dependente de um nome que pode ser barrado pela Justiça Eleitoral.

A reação de Michelle Bolsonaro a uma eventual candidatura de Rogéria também é observada por aliados, já que a relação entre diferentes núcleos da família é marcada por disputas internas e sinais públicos de desconforto. Em dezembro, após críticas de Flávio, Eduardo e Carlos a Michelle por sua posição contrária a uma aliança com Ciro Gomes no Ceará, Rogéria publicou nas redes uma mensagem em defesa da união dos filhos.

Por ora, o nome de Rogéria Bolsonaro funciona como teste e recado. Teste porque mede o peso eleitoral do sobrenome em uma corrida ao Senado no Rio. Recado porque mostra a Cláudio Castro que o PL já avalia alternativas caso sua situação jurídica não seja revertida.

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Fonte: diariodorio.com