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Fechada a dois anos, Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens aguarda obras do Iphan – Diário do Rio de Janeiro

Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens – ArqRio

Uma das pérolas dos estilos Rococó e Barroco do Rio de Janeiro, a Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens foi construída em meados do século XVIII. A Capela teve as suas obras iniciadas em 1752, após a criação da Irmandade Nossa Senhora Mãe dos Homens, em 1750.

O templo, localizado na Rua da Alfândega, 54, no coração do Centro do Rio de Janeiro foi projetado por José Fernandes Pinto Alpoim, militar português e um dos grandes nomes da arquitetura colonial no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro.

Antes da construção da capela, a devoção à Nossa Senhora Mãe dos Homens era praticada em um altar de pedra, localizado nas proximidades da construção do templo.

Em 1790, o Mestre Inácio Ferreira Pinto construiu o retábulo do altar-mor, as talhas do arco-cruzeiro e do coro. A igreja foi palco de inúmeros eventos de grande peso histórico. Entre abril e maio de 1798, o templo abrigou Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. O inconfidente mineiro ficou escondido no local até migrar para um esconderijo na Rua dos Latoeiros, atualmente Gonçalves Dias, onde foi preso e, posteriormente encaminhado para a Ilha das Cobras.

Coube ao pintor, desenhista e gravador brasileiro, Antônio de Pádua e Castro, a requalificação do trono do altar-mor e confecção das talhas dos dois altares da nave; obras que duraram de 1854 a 1856. Nos anos seguintes, a fachada do templo foi reconstruída, com a finalização da obra acontecendo 1863, sob o comando do arquiteto Francisco Joaquim Bethencourt da Silva.

A Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens foi construída com uma única nave, capela-mor, sacristia, além de duas torres: uma sineira e outra inacabada.

A nave foi elaborada em formato octogonal, com cobertura abobadada. Já a capela-mor conta com planta retangular. A torre sineira, por sua vez, foi erguida com um pináculo revestido com azulejos portugueses, com a instalação de um galo de bronze em seu topo. A fachada principal (frontispício) foi reconstruída em estilo neoclássico, fazendo da Igreja uma das construções mais representativas do século XVIII no Rio de Janeiro.  

Em 15 de julho de 1938, sob o processo de nº 0020-T-38, a Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Fechada há dois anos, a Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens encontra-se em uma situação gravíssima, sendo solapada por vários pontos de vazamentos que degradam e depreciam o patrimônio histórico católico e carioca. A Igreja aguarda o recebimento de verbas do IPHAN, que foi condenado a sanar os vazamentos e outros problemas.

O templo pertence à Irmandade Mãe dos Homens cuja maior parte dos integrantes já é falecida, estando os demais muitos muito idosos para tomarem alguma providência. Atualmente, há somente seis membros vivos, e entidade não conta com recursos para manter o templo.

A Irmandade Mãe dos Homens é um Associação Pública de Fieis, o que coloca a igreja fora dos poderes da Arquidiocese do Rio de Janeiro, inviabilizando a realização das intervenções necessárias para a manutenção do importante templo.

A comunidade católica e os moradores do Rio de Janeiro esperam que o Iphan tome as devidas providências para que Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens não tenha o destino trágico como o Convento de São Francisco em Salvador (BA).

Para a Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens, o Instituto do Patrimônio Histórico conta com uma verba de R$ 766 mil. O valor deve ser empregado na revisão do sistema elétrico, restauração de elementos da cobertura da Igreja, conserto de vazamentos e descupinização do imóvel. Segundo o Iphan, a previsão é de que as obras tenham duração de nove meses.

Morte em Salvador

No dia 5 de fevereiro deste ano, o Convento de São Francisco em Salvador, localizado no Pelourinho, teve parte do forro do teto desabado, deixando uma pessoa morta e seis feridas. Segundo uma reportagem publicada pelo jornalista Fernando Molica no site Correio da Manhã, o Instituto sabia das condições do templo baiano desde 29 de maio de 2024, portanto há mais de oito meses.

A empresa Solé Associados, de acordo com Molica, teria entregado um laudo assinado pela engenheira civil Rosana Muñoz ao Iphan. No documento, a técnica enumerou uma série de problemas estruturais que deveriam ser “remediados com urgência” para que a estrutura não desabasse.

Na matéria de Fernando Molica foi citado ainda que o Iphan tinha conhecimento de outros estudos anexados pela Solé que revelavam problemas graves nos telhados, além de 95 pontos de cupinização dentro da igreja, como em altares, imagens e forro do teto.

As instalações elétricas também apresentavam problemas graves na fiação e falta de para-raios. A documentação enumerou 48 situações classificadas de “risco crítico”, quando há ameaça à vida, à saúde, ao meio ambiente ou patrimônio.

No acidente, a turista Giulia Panchoni Righetto, de 26 anos e natural de Ribeirão Preto (SP), foi atingida por parte do teto da Igreja. Ela estava acompanhada de dois amigos e do namorado, que não se feriram, pois estavam um espaço mais afastado.

No dia 7 de fevereiro, o DIÁRIO DO RIO denunciou as condições da Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo, do Mestre Valentim, na Praça XV. Já em 2022, o templo, de propriedade da latifundiária Ordem Terceira do Carmo, uma organização religiosa autônoma em relação à Arquidiocese do Rio, sofria risco de incêndio, estando tomada por cupins e sendo classificada em estado “péssimo”, segundo laudo do órgão federal. Segundo a reportagem, a situação atual da Igreja é de quase ruína. Ainda assim, o Iphan ganhou de presente 9 anos para realizar as obras necessárias.

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Fonte: diariodorio.com

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