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Decisão de Paes de levar feira gastronômica à Praça Paris revolta moradores e defensores do patrimônio – Diário do Rio de Janeiro

Tombada pelo município e considerada um dos últimos respiros bucólicos da Região Central do Rio, a praça foi recentemente restaurada com recursos da própria Prefeitura

Decisão de Paes de levar feira gastronômica à Praça Paris revolta moradores e defensores do patrimônio – Diário do Rio de Janeiro
  • Publishedjulho 18, 2025
Decisão de Paes de levar feira gastronômica à Praça Paris revolta moradores e defensores do patrimônio – Diário do Rio de Janeiro

Tombada pelo município e considerada um dos últimos respiros bucólicos da Região Central do Rio, a praça foi recentemente restaurada com recursos da própria Prefeitura

Carta do papai Noel

A decisão da Prefeitura do Rio de realocar a parte gastronômica da Feira da Glória para a Praça Paris, a partir deste domingo (20/07), não caiu bem entre parte dos moradores da Glória e defensores do patrimônio histórico. Tombada pelo município e considerada um dos últimos respiros bucólicos da Região Central do Rio, a praça foi recentemente restaurada com recursos da própria Prefeitura — e agora, segundo os críticos da medida, corre o risco de sofrer com o uso intensivo, o acúmulo de lixo e a ausência de diálogo prévio.

A mudança foi anunciada pelo prefeito Eduardo Paes nesta sexta-feira (18/07), em post no Instagram. Segundo ele, trata-se de um “teste para melhorar a organização do evento”. Paes alegou que a feira havia virado um “verdadeiro caos”, com barracas espalhadas por pontos de ônibus e botijões de gás armazenados de forma insegura. Na nova configuração, cerca de 40 barracas de comida devem ocupar parte da Praça Paris, enquanto a Prefeitura promete fiscalização da Guarda Municipal e da Secretaria de Ordem Pública (Seop). Os próprios expositores, segundo o município, ficarão responsáveis pela limpeza do espaço.

Mas a promessa de ordem não acalmou os ânimos de quem vive e frequenta o bairro. “A praça Paris é um bem tombado. Tivemos chafarizes que voltaram a funcionar, monumentos restaurados. E sabemos como é a feira no Rio de Janeiro: não existe organização”, afirmou ao DIÁRIO DO RIO o restaurador Marconi de Andrade, diretor da AMA Glória e integrante do movimento SOS Patrimônio. “O prefeito está liberando uma das praças mais importantes da cidade para algo que pode deteriorar o gramado em poucas semanas. A praça é do povo, sim, mas não para ser usada como feira permanente. Ela foi feita para ser contemplada”, disse ele.

Outro morador do bairro afirmou ao DDR que o receio maior é que a iniciativa, que começa com promessa de ordem, se descontrole em pouco tempo. “Tudo começa muito bem e depois desanda. Nem sabemos quem será o responsável, nem a quem cobrar. A fiscalização não ocorre 24 horas. Vai haver limite de barracas? Ou quem quiser vai entrar?”, questiona Bruno Vieira.

A presidente da Associação de Moradores e Amigos da Glória (AMA-Glória), Wania Beata, reforça a crítica à falta de diálogo. Ela disse ao DIÁRIO DO RIO que a associação sequer foi consultada antes da decisão. “Recebemos inúmeros relatos de preocupação com o impacto da feira, principalmente após a revitalização feita pela Revitaliza, contratada pela própria Prefeitura. A praça é um espaço de lazer tranquilo, usada para piqueniques, passeios com pets, treinos de corrida e ciclismo. É disso que os moradores querem continuar desfrutando”, afirma.

Wania também chamou atenção para o que considera um avanço desordenado da ocupação de espaços públicos na Glória. “Temos feiras ou expositores na Praça Edison Cortes, na do Cabral, no entorno do elevador do Metrô, na calçada da Murada da Glória, na Rua da Glória inteira. A feira cresceu tanto que nem se anda mais na Augusto Severo. Os feirantes tradicionais dizem que as vendas caíram 30%, e o trânsito ficou insustentável”, relatou.

Além da sobrecarga urbana, moradores relatam outros problemas associados ao evento, como estacionamento irregular sobre calçadas, dificultando a mobilidade de cadeirantes e pais com carrinhos de bebê, e a presença de flanelinhas cobrando valores abusivos para guardar os carros.

Um jardim à moda parisiense

A Praça Paris foi construída em 1926, projetada pelo urbanista francês Alfred Agache durante a gestão do prefeito Antônio Prado Júnior. Inspirada nos jardins da belle époque, o espaço abriga esculturas, monumentos e grandes amendoeiras. A praça foi inteiramente destruída durante as obras do metrô e reinaugurada, cercada por grades, em 1992.

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Fonte: diariodorio.com