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Vacinas protegem o coração: entenda a nova estratégia dos cardiologistas

Ler Resumo Introdução A prevenção cardiovascular amplia seu escopo, incorporando a vacinação como medida fundamental. Infecções evitáveis por vacina podem atuar como gatilhos para eventos cardíacos graves. O Colégio Americano

  • Publishedabril 8, 2026

Ler Resumo

Introdução
A prevenção cardiovascular amplia seu escopo, incorporando a vacinação como medida fundamental. Infecções evitáveis por vacina podem atuar como gatilhos para eventos cardíacos graves. O Colégio Americano de Cardiologia (ACC) destaca vacinas contra influenza, pneumococo, VSR e herpes-zóster como aliadas na proteção do coração, reduzindo riscos de infarto e AVC. Cardiologistas devem integrar a checagem vacinal à consulta.

Carta do papai Noel

A vacinação é um pilar da prevenção cardiovascular, indo além dos métodos tradicionais.
Infecções respiratórias podem desencadear infartos, AVCs e descompensação de insuficiência cardíaca.
A vacina da influenza reduz o risco de eventos cardiovasculares agudos e mortalidade.
A vacina pneumocócica protege pacientes cardíacos de infecções graves e estresse sistêmico.
A vacina contra herpes-zóster demonstrou reduzir eventos cardiovasculares maiores em pacientes com doença aterosclerótica.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Durante muito tempo, a prevenção cardiovascular foi resumida a um roteiro já conhecido: controlar a pressão arterial, baixar o LDL-colesterol, parar de fumar, perder peso, praticar atividade física, controlar a glicose e, quando necessário, lançar mão de stent, cirurgia de revascularização ou novos remédios.
Tudo isso continua central. Mas, em um dos maiores congressos de cardiologia do mundo, o Congresso do Colégio Americano de Cardiologia (ACC), que aconteceu em New Orleans no fim de março, uma mensagem ganhou força: proteger o coração também passa por prevenir infecções evitáveis por vacina.

Não se trata de trocar o básico pelo novo. Trata-se de ampliar a visão. Infecções respiratórias podem funcionar como gatilhos para infarto, AVC, descompensação da insuficiência cardíaca, arritmias e internações em pacientes já vulneráveis. Por isso, a vacinação deixou de ser apenas uma pauta da infectologia ou da clínica geral e passou a ocupar espaço legítimo na cardiologia preventiva.

O próprio ACC consolidou essa mudança ao publicar uma diretriz específica sobre imunizações como parte do cuidado cardiovascular, destacando influenza, pneumococo, VSR, covid-19 e herpes-zóster.
Vacinas que ajudam a reduzir eventos cardíacos
Entre as vacinas mais discutidas, a da influenza apareceu com destaque. O ACC resume que a gripe aumenta o risco cardiovascular agudo, inclusive com risco cerca de seis vezes maior de infarto na semana após a infecção, e recomenda vacinação anual para reduzir morbidade e mortalidade cardiovascular.

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Em paralelo, análises recentes mostraram que a vacina de alta dose em idosos foi mais eficaz que a dose padrão para reduzir hospitalizações por influenza ou pneumonia e também hospitalizações por causas cardiorrespiratórias. Em outras palavras: vacinar contra gripe não é só evitar febre e mal-estar no inverno; é também reduzir eventos clínicos relevantes em quem já tem risco cardíaco aumentado.
A vacina pneumocócica também precisa sair da periferia da consulta clínica. A recomendação do ACC é objetiva: adultos com doença cardíaca devem ser imunizados contra pneumococo para se proteger de pneumonia, bacteremia e meningite, além do risco de hospitalização e morte associado a essas infecções.
Talvez ela não desperte o mesmo apelo midiático de outras vacinas, mas, no paciente com complicações cardiovasculares, prevenir uma infecção pneumocócica grave significa evitar um estresse sistêmico que pode precipitar descompensações, infarto do coração e piora clínica.

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Outra protagonista foi a vacina contra herpes-zóster. Um estudo apresentado no ACC mostrou dados expressivos em pacientes com doença aterosclerótica: após pareamento por escore de propensão, os vacinados tiveram menor risco de eventos cardiovasculares maiores, menor mortalidade, menos infarto, menos AVC, menos insuficiência cardíaca e menos arritmias cardíacas ao longo de um ano.
Este estudo reforça um conceito poderoso: evitar infecções também pode significar reduzir risco cardiovascular.
VSR e envelhecimento: um novo alerta para o coração
A vacina contra VSR — o vírus sincicial respiratório — foi outro tema que ganhou espaço. E com razão. Dados discutidos pelo ACC mostram que a infecção por VSR em adultos mais velhos está associada a aumento importante de hospitalização por insuficiência cardíaca, AVC isquêmico e outros eventos cardiovasculares.

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Além disso, uma análise do ensaio DAN-RSV encontrou redução de hospitalizações cardiorrespiratórias em adultos a partir de 60 anos vacinados contra o vírus, sugerindo benefício clínico além da prevenção da infecção respiratória em si. Num país que envelhece rapidamente, isso muda a conversa no consultório.
Prevenção cardiovascular vai além de remédios e procedimentos
A grande virada conceitual é esta: prevenção cardiovascular não pode mais ser entendida apenas como prescrever estatina, ajustar anti-hipertensivo, mudar o medicamento para diabetes, indicar cateterismo ou discutir stent e ponte de safena. Tudo isso importa, e muito.
Mas é insuficiente se ignorarmos fatores que desestabilizam o paciente e aumentam o risco de evento. A vacina passa a integrar o mesmo raciocínio preventivo que inclui cessar tabagismo, controlar glicemia, melhorar sono, tratar obesidade e incentivar exercício.

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Na prática, isso exige mudança de cultura. Em vez de perguntar apenas “como está o LDL?” ou “a pressão está controlada?”, o cardiologista e as diferentes especialidades clínicas também deveriam perguntar: “sua vacinação está em dia?”.
O ACC defende que essa checagem faça parte das consultas e sugere inclusive estratégias para aumentar cobertura vacinal, como recomendação ativa do médico, combate à hesitação vacinal e integração do tema ao plano terapêutico cardiovascular.

Fonte: saude.abril.com.br