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Trump chantageia o Brasil, pressionando Lula e o STF

O Brasil havia suspirado aliviado no dia 2 de abril, o Liberation Day de Donald Trump, ao ter sido um dos países menos atingidos pelo tarifaço do presidente americano –

Trump chantageia o Brasil, pressionando Lula e o STF
  • Publishedjulho 9, 2025
Trump chantageia o Brasil, pressionando Lula e o STF

O Brasil havia suspirado aliviado no dia 2 de abril, o Liberation Day de Donald Trump, ao ter sido um dos países menos atingidos pelo tarifaço do presidente americano – e até se via em uma situação de sair ganhando em alguns mercados.

Carta do papai Noel

Not any more.

Trump anunciou que as exportações brasileiras passarão a pagar tarifas de 50% a partir de 1° de agosto, e não mais ‘apenas’ 10%, como fora divulgado em abril.

O percentual ficou bem acima do que estava no radar dos analistas e pegou de surpresa o Governo. O Presidente Lula convocou uma reunião emergencial para avaliar a reação.

O índice EWZ, o ETF de ações brasileiras, entrou em queda de 2% depois do anúncio de Trump.

No mercado brasileiro, os futuros ainda estavam em negociação quando veio a notícia do tarifaço contra o Brasil. O futuro do Ibovespa fechou em queda de 2,4%, e o dólar futuro subiu 2%.

Em uma carta endereçada ao Presidente Lula, Trump voltou a criticar o tratamento que vem sendo dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e condenou “os ataques insidiosos contra as eleições livres e os direitos de liberdade de expressão dos americanos,” citando as ordens do STF contra plataformas digitais dos EUA.

Por isso, escreveu Trump, “a partir de 1° de agosto de 2025, cobraremos uma tarifa de 50% sobre qualquer produto brasileiro enviado aos EUA, além de todas as tarifas setoriais existentes.”

“Se, por algum motivo, o senhor decidir aumentar suas tarifas, então qualquer que seja o número que escolher aumentá-las será acrescentado aos 50%,” ameaçou Trump.

O presidente americano disse ainda que a relação comercial entre os países “tem sido muito injusta, marcada por políticas e barreiras tarifárias e não tarifárias.”

Trump conclui afirmando que se o Brasil abrir os seus mercados para os EUA e “eliminar” tarifas e barreiras comerciais, “nós talvez consideremos um ajuste desta carta.”

Luiz Inácio Lula da SilvaLula respondeu, em nota, dizendo que “o Brasil é um país soberano com instituições independentes, que não aceitará ser tutelado por ninguém”.

“O processo judicial contra aqueles que planejaram o golpe de estado é de competência apenas da Justiça Brasileira e, portanto, não está sujeito a nenhum tipo de ingerência ou ameaça que fira a independência das instituições nacionais,” disse Lula. “No contexto das plataformas digitais, a sociedade brasileira rejeita conteúdos de ódio, racismo, pornografia infantil, golpes, fraudes, discursos contra os direitos humanos e a liberdade democrática.” 

Em um texto publicado no Substack, o economista Paul Krugman disse que Trump praticamente não indica uma razão econômica para a retaliação. “Isso diz respeito apenas a punir o Brasil por colocar Jair Bolsonaro em julgamento,” afirmou.

Segundo Krugman, Trump usa as tarifas “para ajudar um wannabe dictator.”

O Nobel de Economia lembrou que as exportações para os EUA representam menos de 2% do PIB brasileiro, um percentual relativamente baixo. “Trump realmente imagina que pode usar tarifas para intimidar uma nação enorme, que nem sequer é muito dependente do mercado americano, a abandonar a democracia?”

O Brasil subiu ao topo entre os países mais castigados pela guerra tarifária de Trump. Nas revisões divulgadas pela Casa Branca nos últimos dias, nenhum foi tão penalizado quando o País, como mostra o quadro abaixo, produzido pela gestora WHG.




Giuliano Guandalini




Fonte: braziljournal.com