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Mamadeira de whey: pode dar suplemento e creatina para crianças?

Ler Resumo Introdução A influenciadora Carol Borba revelou oferecer whey protein e creatina à sua filha de 3 anos. Contudo, a Sociedade Brasileira de Pediatria e nutricionistas afirmam que a

  • Publishedabril 28, 2026

Ler Resumo

Introdução
A influenciadora Carol Borba revelou oferecer whey protein e creatina à sua filha de 3 anos. Contudo, a Sociedade Brasileira de Pediatria e nutricionistas afirmam que a prática não é segura nem indicada para crianças saudáveis, alertando para riscos como sobrecarga de órgãos, desequilíbrios nutricionais e a ausência de estudos que comprovem a segurança para essa faixa etária.

Carta do papai Noel

A Sociedade Brasileira de Pediatria e nutricionistas não indicam whey protein ou creatina para crianças saudáveis.
Whey é considerado ultraprocessado, e a creatina não é necessária para o desenvolvimento de crianças saudáveis.
O uso inadequado pode causar sobrecarga em rins e fígado, além de desequilíbrios nutricionais e desconfortos gastrointestinais.
Há poucos estudos clínicos que comprovem a segurança e eficácia desses suplementos em crianças pequenas, especialmente menores de 5 anos.
A prioridade para crianças deve ser uma alimentação variada, equilibrada e baseada em alimentos in natura ou minimamente processados.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

A profissional de educação física e influenciadora digital Carol Borba revelou recentemente, durante sua participação no videocast “PodShape”, que adiciona suplementos de proteína, conhecidos como whey protein, e creatina, à rotina alimentar da sua filha de três anos.
“A mamadeira da minha filha antes de dormir é leite com whey“, afirmou.

O whey é um tipo de suplemento derivado da proteína do soro do leite, queridinho no meio fitness por ajudar no ganho de massa muscular — especialmente quando há necessidade de aumentar a ingestão proteica para favorecer a hipertrofia.

Durante a entrevista, Borba também contou que, por diversas vezes, quando prepara os seus shakes, a filha entra na fila.
“E aí, a a internet cai matando em cima de mim. Eu dou whey e dou creatina para ela; já pesquisei e já me falaram…”, comentou.
O podcast em questão, voltado ao universo das academias e da musculação, é apresentado pela modelo Juliana Salimeni e o empresário Diogo Basaglia. No diálogo com Borba, os apresentadores apoiaram a medida. 
“Ela tem o exemplo em casa, dos pais que seguem alimentação saudável, e isso é a melhor coisa. Ela já vai ter mais facilidade depois, na vida”. 

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Juliana também rebateu críticas: “Eles acham que você está errada em fazer isso, mas estaria certa se tivesse dado chocolate, achocolatado em pó, né?”, comentou.
Borba ainda revelou que a filha, inclusive, pede para tomar os suplementos: “ela pede creatina, porque me vê tomando. Aí, ela fala: ‘Mãe, dá um pouquinho da sua catina‘. E eu dou”, contou.
Mas, afinal, é seguro oferecer esses suplementos para crianças? E quais seriam as vantagens? VEJA SAÚDE conversou com autoridades e especialistas para esclarecer o tema.
O que diz a Sociedade Brasileira de Pediatria
Fabíola Suano, presidente do Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, crava: “não é seguro nem indicado oferecer suplementos como whey protein ou creatina para crianças pequenas saudáveis“, diz.
Isso porque, em primeiro lugar, o whey é considerado um alimento ultraprocessado, formulado a partir da proteína do soro do leite.

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Frequentemente, ele é associado a aditivos como aromatizantes, edulcorantes (adoçantes), emulsificantes e outros ingredientes que não são recomendados para ingestão nessa faixa etária.
A creatina, por sua vez, é um composto produzido naturalmente pelo organismo a partir de aminoácidos (arginina, glicina e metionina) e também pode ser obtida por meio de alimentos como carnes e peixes.
“Crianças saudáveis não necessitam de doses adicionais dessa substância”, diz Suano.
Segundo a especialista, nessa fase da vida, marcada por intenso crescimento e desenvolvimento, a prioridade deve ser uma alimentação variada, equilibrada e baseada em alimentos in natura, como frutas e legumes, ou minimamente processados.
Assim, suplementos só devem ser utilizados em situações clínicas específicas e com indicação e acompanhamento de profissionais de saúde.

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A nutricionista infatojuvenil Simone Medeiros também reforça que o uso sem necessidade pode gerar excessos, substituir alimentos importantes e passar a mensagem equivocada de que suplemento é essencial para crescer ou ser saudável. “O foco nessa fase deve estar na construção de bons hábitos alimentares”, diz.
Como whey e creatina podem afetar as crianças?
Em crianças, o uso de suplementos como proteínas em pó e outros pode levar a uma ingestão muito acima das necessidades diárias, mesmo quando utilizados em pequenas quantidades.
“Esse excesso pode representar uma sobrecarga desnecessária para rins e fígado, além de favorecer desequilíbrios nutricionais ao substituir alimentos importantes da rotina alimentar”, destaca Suano.
Medeiros aponta que também há o risco de desconfortos gastrointestinais, como náuseas, distensão abdominal, constipação ou diarreia, dependendo da composição do produto.
Outro ponto de atenção, segundo Suano, é que o uso desses compostos pode reforçar uma relação inadequada com a alimentação, baseada em promessas de desempenho ou crescimento acelerado, sem respaldo para essa faixa etária.

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O que dizem estudos sobre whey para crianças?
Embora a influencer destaque que leu conteúdos a respeito da suplementação, as especialistas destacam que há poucos estudos clínicos (isto é, feitos com seres humanos, os mais confiáveis) sobre whey protein e creatina para os pequenos, especialmente em menores de 5 anos.

Quando existem estudos com suplementos proteicos contendo whey nessa faixa etária, geralmente avaliam crianças com desnutrição aguda moderada ou doenças como problemas no metabolismo ou síndrome de má absorção de proteínas, e não crianças saudáveis.

Nesses casos, o suplemento é utilizado como parte de uma intervenção nutricional terapêutica, com indicação e acompanhamento profissionais.

Para a creatina, a evidência em crianças pequenas saudáveis é ainda mais limitada; os estudos pediátricos concentram-se sobretudo em adolescentes ou em crianças com doenças específicas, como condições neuromusculares ou metabólicas. “Assim, não há base científica para recomendar o uso de whey protein ou creatina em crianças menores de 5 anos saudáveis”, crava Suano.

Quando pode ser indicado?
Segundo as especialistas, o uso dos suplementos de proteína pode ser considerado em situações clínicas específicas, nas quais a alimentação habitual não consegue suprir adequadamente as necessidades nutricionais.

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Isso pode ocorrer, por exemplo, em casos de desnutrição, síndromes de má absorção intestinal, algumas doenças crônicas, condições que aumentam a demanda metabólica ou em determinados erros inatos do metabolismo.
Nesses cenários, a suplementação faz parte de uma estratégia terapêutica mais ampla e deve ser prescrita e monitorada por equipe de saúde, com acompanhamento médico e nutricional rigorosos.
“Mesmo assim, a decisão deve ser individualizada, com avaliação do consumo alimentar, crescimento, exames quando necessário”, pondera Medeiros.
A diferença entre proteína do whey e da alimentação
A proteína presente nos suplementos geralmente é extraída de uma única fonte alimentar. O whey protein, por exemplo, é derivado do soro do leite.
Por isso, esse produtos tendem a oferecer um perfil de aminoácidos mais limitado e concentrado em comparação com a alimentação habitual.
Além disso, como destaca Medeiros, a proteína dos alimentos vem junto com outros nutrientes importantes: ferro, zinco, vitaminas, gorduras e fibras, além de oferecer diferentes texturas, sabores, experiências alimentares e, até, treino de mastigação.
“Carne, ovos, leite, feijões, iogurte, peixe e frango, por exemplo, não entregam apenas proteína; eles participam da formação de hábitos alimentares e do desenvolvimento da criança”, diz.
De acordo com Suano, essa variedade contribui para o adequado crescimento e desenvolvimento da criança, respeitando suas necessidades nutricionais sem sobrecargas desnecessárias aos órgãos e sistemas.
“O suplemento entrega uma proteína isolada ou concentrada, com pouca ou nenhuma experiência alimentar. Por isso, para crianças, sempre que possível, a prioridade deve ser atingir as necessidades pela alimentação”, finaliza Medeiros.

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Fonte: saude.abril.com.br