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Águas do Rio faz obras inéditas na Maré para tratar 1,3 bilhão de litros de esgoto todo mês – Diário do Rio de Janeiro

Águas do Rio faz obras inéditas na Maré para tratar 1,3 bilhão de litros de esgoto todo mês – Diário do Rio de Janeiro
  • Publishedabril 30, 2026
Águas do Rio faz obras inéditas na Maré para tratar 1,3 bilhão de litros de esgoto todo mês – Diário do Rio de Janeiro

Carta do papai Noel
O resgate da balneabilidade na Baía de Guanabara devolve ao conjunto o direito histórico de reencontrar o mar e viver a cidade por inteiro (Foto Águas do Rio/Divulgação)

Faz algumas décadas, mas a relação da Maré já foi de muito mais proximidade com a Baía de Guanabara. Já houve um tempo em que a orla da região, que até incluía bairros como Penha e Ramos, pulsava com uma economia própria  gerada pelo mar, que incluía o lazer de milhares de pessoas. No entanto, o crescimento urbano acelerado e as grandes obras do século XX, como a abertura da Avenida Brasil, afastaram moradores do mar, transformaram rios em valas e praias em lembrança.

Essa história começa a mudar de rumo. Com investimentos inéditos em saneamento básico no conjunto de favelas da Maré, o foco passa a ser reconectar essa região da Zona Norte do Rio à baía, com a melhoria direta na qualidade de vida das 200 mil pessoas que vivem às suas margens.

Saneamento básico vai chegar com tecnologia de ponta

Invisível para quem passa, mas transformador para quem vive, o ‘tatuzinho’ vai avançar pelo subsolo da Maré para devolver a dignidade aos rios e o futuro à Baía de Guanabara (Foto: Águas do Rio/Divulgação)

O projeto da Águas do Rio, empresa da Aegea, prevê 18 quilômetros de novas redes e a construção de um tronco coletor de 4,5 quilômetros, com até 1,50 metro de diâmetro, atravessando o subsolo das 16 comunidades da região. Para isso, serão usados os chamados “tatuzinhos”, equipamentos que escavam e instalam a tubulação ao mesmo tempo, reduzindo intervenções nas ruas e o impacto na rotina dos moradores.

“Nosso objetivo é construir todo um sistema de esgotamento sanitário com o mínimo de impacto na rotina das famílias. Após as obras, no final de 2027, cerca de 1,3 bilhão de litros de esgoto, que hoje caem in natura na baía por mês, será coletado e tratado na ETE Alegria, no Caju”, explica Renan Mendonça, diretor Executivo da Águas do Rio.

O Rio Ramos, antes lazer e hoje valão, simboliza a dívida histórica de uma cidade que cresceu de costas para as águas para além da Zona Sul (Foto: Águas do Rio/Divulgação)

Um dos eixos da intervenção é reorganizar o destino do esgoto no trecho final do rio Ramos. Hoje, centenas de casas que hoje lançam seus dejetos diretamente no curso d’água, que atravessa vários bairros antes de chegar à Maré e desaguar na Baía de Guanabara. A obra atua justamente nesse ponto, com um trabalho quase artesanal de conectar cada imóvel à nova rede de esgoto. 

Ao final das obras de esgotamento sanitário no conjunto de favelas, o equivalente a 520 piscinas olímpicas de esgoto por mês deixará de ser lançado no ambiente, reduzindo riscos à saúde e a pressão sobre os rios e a Baía de Guanabara. O impacto começa no subsolo, com uma infraestrutura que não aparece, mas transforma a rotina de quem vive acima dela. Ao implantar o saneamento da região, a obra ajuda a Maré a reconstruir sua relação histórica com a água e com o próprio território.

“A Maré nasceu à beira d’água. Por décadas, o esgoto separou a comunidade da Baía de Guanabara e esperamos, através do saneamento básico, reparar isso”, finaliza Andrade.

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Fonte: diariodorio.com