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Furto de cabos quase dobra em dois anos e ainda desafia o Rio – Diário do Rio de Janeiro

Furto de cabos quase dobra em dois anos e ainda desafia o Rio – Diário do Rio de Janeiro
  • Publishedabril 30, 2026
Furto de cabos quase dobra em dois anos e ainda desafia o Rio – Diário do Rio de Janeiro

Carta do papai Noel
Divulgação

Mesmo com a mudança na legislação federal, o furto de cabos e equipamentos de concessionárias ainda preocupa no Estado do Rio de Janeiro. O número de ocorrências praticamente dobrou em dois anos, segundo dados do Instituto de Segurança Pública, levantados a pedido da BandNews FM.

Em 2023, foram registrados 2.538 casos de furtos de equipamentos de concessionárias de serviço público ou empresas de telefonia. Em 2024, o número subiu para 4.339, uma alta de 71% em um ano. Já em 2025, os dados consolidados apontam 5.067 ocorrências.

Na comparação entre 2023 e 2025, o crescimento foi de 99%. Ao todo, foram 11.944 registros em três anos. Em 2025, a média chegou a 13,9 furtos por dia.

Os crimes se concentram principalmente na capital fluminense, em Niterói e São Gonçalo, na Região Metropolitana, além de Duque de Caxias e São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Na cidade do Rio, os bairros mais afetados são Centro, Penha, Olaria, Brás de Pina e Engenho Novo.

Light teve alta de mais de 1.300% em cabos roubados

As concessionárias de energia elétrica estão entre as mais afetadas. A Light, que atua na Região Metropolitana do Rio, registrou 33 toneladas de cabos de energia roubados em 2023. Dois anos depois, o volume chegou a 474 toneladas.

A alta foi de 1.317%. O prejuízo financeiro também disparou, passando de R$ 1,193 milhão para R$ 34,5 milhões.

Apesar do aumento no volume de cabos furtados, a concessionária registrou queda no número de clientes afetados. Em 2023, 116 mil consumidores foram prejudicados. Em 2025, esse total caiu para 89 mil.

A parcial de 2026 mostra que o problema continua. Nos dois primeiros meses do ano, o prejuízo causado por furtos na rede elétrica passou de R$ 1 milhão.

Para tentar reduzir os crimes, a Light passou a adotar novas estratégias. Além de substituir cabos de cobre por alumínio, a empresa instalou sensores em parte da rede subterrânea. O monitoramento é feito pela central de controle da concessionária, no Centro do Rio.

Segundo Leonardo Bersot, gerente de manutenção da rede subterrânea da Light, os sensores ajudam a identificar tentativas de invasão na rede.

“Quando há qualquer alarme de intrusão, a gente faz o envio de uma equipe, essa equipe vai até o local, verifica, havendo ali a identificação de fato de uma intrusão para tentativa de furto, então a gente faz todo o processo de registro dessa ocorrência. Normalmente quando há o furto, para se separar a parte isolante do cabo do cobre, esse cabo é colocado fogo nele. Então a gente vem trabalhando em tecnologias para fazer a marcação desses cabos de forma que crie um DNA, para que quando esse cabo seja queimado a gente consiga entender a origem desse cobre furtado”, explicou Leonardo Bersot.

Enel Rio registrou 48 quilômetros de cabos roubados

A Enel Rio, que atua em 66 municípios do estado, teve menos ocorrências registradas. Ainda assim, em três anos, a distribuidora contabilizou cerca de 48 quilômetros de cabos roubados.

Somente em 2025, o volume furtado foi equivalente à extensão total da Ponte Rio-Niterói. No mesmo ano, cerca de 17 mil clientes da área de concessão da Enel Rio foram impactados por esse tipo de crime. O número representa alta de 7,3% em relação a 2024.

Em nível nacional, o prejuízo também cresceu. Segundo a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, as perdas para as empresas chegaram a R$ 97 milhões em 2025, alta de 94% na comparação com 2024.

Ao todo, foram roubadas 975 toneladas de cabos no país em 2025. No ano anterior, haviam sido 301 toneladas.

Para Ricardo Brandão, diretor de regulação da Abradee, o combate ao furto de cabos depende de uma mobilização maior das forças de segurança, mesmo com os investimentos das empresas em tecnologia.

“Isso não é um problema só para as empresas, afeta também os consumidores que ficam sem a prestação do serviço. Isso mostra que isso é um problema grave, crescente e que precisa do envolvimento das autoridades, especialmente as forças de segurança pública. É muito difícil a gente combater por parte da empresa esse tipo de prática porque ela é muito espalhada. Mas o que algumas empresas têm feito é investimento em tecnologia, em sensoriamento de redes, de forma que você possa identificar de forma mais rápida, mas de fato é muito difícil”, afirmou Ricardo Brandão.

Polícia Civil mira cadeia do cobre

Em 2024, a Polícia Civil do Rio deflagrou a Operação Caminhos do Cobre para combater o furto de cabos e materiais metálicos. A investigação mira toda a cadeia criminosa, do furtador aos ferros-velhos e metalúrgicas.

Desde então, cerca de 270 prisões foram feitas, envolvendo responsáveis por ferros-velhos. A polícia também apreendeu 300 toneladas de fios de cobre e materiais metálicos. Mais de R$ 240 milhões já foram alvo de pedidos de bloqueio de bens.

No ano passado, uma lei federal alterou o Código Penal para aumentar as penas aplicadas a furto, roubo e receptação de fios, cabos e equipamentos usados na distribuição e transmissão de energia elétrica.

Com a mudança, o furto e a receptação desses equipamentos passaram a ser crimes qualificados, com pena de 2 a 8 anos de prisão. No caso de roubo de equipamentos, a pena passou para 6 a 12 anos. Para receptação qualificada, pode chegar a 16 anos.

Em nota, a Polícia Civil informou que atua de forma permanente e estratégica no combate a esse tipo de crime no Rio de Janeiro, com foco na identificação, desarticulação e responsabilização criminal dos envolvidos.

A instituição também afirmou que muitos autores desses crimes são reincidentes, o que, segundo a corporação, mostra o desafio imposto por leis ainda brandas e lenientes.

A Polícia Militar informou que realiza policiamento ostensivo e operações planejadas em todo o estado por meio de suas unidades operacionais. A corporação destacou ainda que o total de furtos na cidade do Rio de Janeiro caiu 10% nos três primeiros meses deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025.

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Fonte: diariodorio.com