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Superidosos: quem são, onde vivem e do que se alimentam

Ler Resumo Introdução Superidosos são indivíduos com 80+ anos e memória preservada, similar à dos 60. A ciência investiga as peculiaridades de seus cérebros, como maior neurogênese e astrócitos protetores.

  • Publishedabril 9, 2026

Ler Resumo

Introdução
Superidosos são indivíduos com 80+ anos e memória preservada, similar à dos 60. A ciência investiga as peculiaridades de seus cérebros, como maior neurogênese e astrócitos protetores. Fatores modificáveis, como exercício físico e estímulo cognitivo contínuo, são cruciais para proteger o cérebro e aumentar as chances de um envelhecimento saudável.

Carta do papai Noel

Superidosos são pessoas com 80 anos ou mais que mantêm capacidade de memória similar à dos 60.
O cérebro dos Superidosos apresenta maior conectividade no Cíngulo Anterior subgenual e neurogênese no hipocampo.
Astrócitos, células de suporte cerebral, parecem proteger o ambiente cerebral e reduzir a neuroinflamação.
A prevenção da demência e Alzheimer envolve o cuidado com 14 fatores de risco modificáveis.
Exercício físico e estímulo cognitivo (educação, aprender novas habilidades) são hábitos que comprovadamente melhoram a memória e a saúde cerebral.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Todo mundo quer envelhecer com saúde, certo? Mas nem todos conseguem, já que o Alzheimer é a doença neurodegenerativa mais comum do mundo, e continua afetando cada vez mais pessoas ao longo da jornada do envelhecimento.
Muitas iniciativas ao redor do mundo estão focadas no desenvolvimento de medicamentos e de prevenção para o declínio da memória, tanto na área da gerontologia, geriatria, e neurologia. Há cerca de 30 anos atrás, os cientistas ao redor do mundo tiveram a brilhante ideia de olhar para quem parece ficar “imune” ao processo de envelhecimento.

Esses indivíduos, os resilientes ao envelhecimento, são hoje denominados superidosos — indivíduos com 80 anos ou mais, cuja capacidade de memória permaneceu semelhante desde os 60 anos.

Mesmo aquele esquecimento normal para a idade acaba não aparecendo nessa turma. Eles continuam com a memória excepcionalmente boa, preservada apesar dos anos que se passam. Você certamente conhece alguém que tem 80 anos ou mais com uma memória excepcional.
Será que é apenas genética? Ou será que podemos de fato cuidar do cérebro e todos virarmos superidosos? Veja o que a ciência já sabe sobre o assunto:

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O que a ciência já descobriu sobre o cérebro dos superidosos
Nos últimos 20 anos, avançamos na nossa compreensão sobre o tema. Aqui no Brasil mesmo, durante meu doutorado, mostramos que o cérebro dos superidosos brasileiros tem algumas peculiaridades, como uma área bem no meio do cérebro está mais conectada que as outras, chamada de cíngulo anterior subgenual.
Recentemente, um artigo publicado na Nature identificou que o cérebro destes privilegiados produz mais neurônios do que o normal, a chamada “neurogênese”.  Não apenas em adultos, mas também em idosos, e na área fundamental para a memória, chamada de hipocampo. Alguns genes parecem estar envolvidos com essa proteção específica dos superidosos, que protege até mesmo do envelhecimento normal.
Além disso, não é apenas o neurônio que funciona melhor, mas uma célula de suporte está também moldada para neuroproteção, o astrócito. Essa célula parece estar cada vez mais envolvida com o processo patológico da doença de Alzheimer, mas também parece reduzir a neuroinflamação associada ao envelhecimento.

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Ainda existem muitas dúvidas sobre como isso acontece, mas aparentemente o astrócito está “abraçando” todas as artérias do cérebro e protegendo o ambiente cerebral, e aqui pode estar a chave da proteção contra as substâncias prejudiciais presentes no sangue.
Ainda não temos como confirmar, mas esperamos entender mais nos próximos passos ao investigar o por que o cérebro de algumas pessoas não envelhece.
Como proteger o cérebro e aumentar as chances de envelhecer bem
Ok, ainda não sabemos o que de fato protege o cérebro. Mas será que podemos virar superidosos? A ciência diz que sim, é possível. Caiu por terra a ideia de que a genética determina se você vai ou não manter a memória boa ao longo do envelhecimento. Hoje sabemos que, para prevenir a demência e a doença de Alzheimer, você tem que cuidar de 14 fatores de risco modificáveis.

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Mas não é só isso, porque alguns hábitos parecem de fato melhorar a memória: adivinha só — exercício físico e educação. Isso mesmo, fazer exercício não é apenas bom para prevenir demência, é uma forma de deixar seu cérebro ainda mais poderoso.
Sobre educação, já falamos diversas vezes em outros textos da coluna: quanto mais estímulo cognitivo, melhor. Isso significa fazer cursos de outros idiomas, aprender uma habilidade nova (instrumento musical), viajar para locais diferentes, praticar hábitos que nunca praticou anteriormente. Manter o cérebro ativo e curioso.
Se você tem uma super memória, ou conhece alguém com uma super memória, gostaríamos de convidar a se inscrever no nosso banco de voluntários para pesquisas. Assim que achamos as curas das doenças: com sua ajuda. Desde já, obrigado.

Alzheimer: 14 fatores por trás da doença — e que podem ser evitados

Fonte: saude.abril.com.br